A música da Bah Oui
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© Vitorino Coragem
Há quem entre na Bah Oui pelas roupas e fique pela música. Não é acaso: a loja tem sempre uma banda sonora própria, tão pensada como a seleção de peças nos cabides.
Ando há anos a construir estas playlists, uma espécie de diário sonoro da loja. Não há fio condutor, mas há muitos estados de alma — Gainsbourg, Nougaro, Barbara, Nina Simone, David Bowie, Neil Young, Charles Aznavour, Iggy Pop, Leonard Cohen, Gréco, Johnny Cash, Bardot, Bille Holliday, vozes que atravessam décadas sem perder a elegância. Depois há as bandas sonoras, as viagens, as de verão quando o calor pede leveza. Há também os dias de "tristeza fina" para quando o espaço pede silêncio preenchido, outras ainda mais introspetivas, para as tardes mais paradas.
A música muda com a loja, e a loja muda com a música. Às vezes é um cliente, um amigo que traz uma sugestão e acaba por entrar numa playlist nova; outras vezes sou eu a redescobrir uma voz antiga e a construir um momento à volta dela, a encontrá-la num filme, a ouvi-la num jantar, numa festa. Muitas são as da Inês Maria Meneses que acompanha a loja mesmo ainda antes de abrir, as da rádio Futura, as do Vidro Azul. Todas juntas são o meu mundo complexo.
Se quiser levar um pouco da Bah Oui consigo, mesmo longe da Rua das Flores, procure "Bah Oui" no Spotify. Está tudo lá — a loja também se ouve.